15 de mai de 2007

Acesso ao conhecimento

Por Sebastião Squirra

Os recursos de conexão e interatividade presentes no que chamam de "cultura digital" estão permitindo – como nunca na história – o acesso, o manuseio, a estocagem e o desfrute de todas as formas de manifestação do conhecimento conquistado pela sociedade. Aí incluídos, aqueles científicos e artísticos. Acumulado durante o longo período de organização da história humana e com a amigabilidade dos instrumentos tecnológicos atuais, todo o conhecimento está disponível e sendo fortemente dinamizado pelos recursos da comunicação digital moderna. De fato, antes o conhecimento estava nos livros estocados nas bibliotecas, acessíveis a partir do deslocamento pessoal até os arquivos codificados existentes em inamistosos e específicos prédios. Hoje, o acesso à obra é possível com o uso de um computador e uma conexão, a partir de qualquer lugar. A arte existia e estava organizada nos museus, sendo que, para conhecê-la, precisava visitar pessoalmente ou comprar uma obra onde tal peça estive impressa. Hoje, isto tudo está facilitado e é de acesso comum. O conhecimento se organiza em múltiplas camadas, sendo estas armazenadas em processos distintos e com contornos que foram claramente delimitados com o passar dos anos. Todavia, entendo que a "cultura" digital é, ela mesma, fortemente delineada pela "ciência" tecnológica, como apresentado anteriormente. Assim, parece mais convincente aceitar que ao se aproximarem a tecnologia e o mundo digital (de fato, este não vive sem aquela), provocou-se uma extraordinária multiplicação do acesso ao conhecimento científico e artístico, favorecendo uma profunda melhoria na vida geral. Quer dizer, acesso ao maior banco de dados possível de ser consultado, que é a própria história do ser humano, seu passado, presente, futuro e a todas os inúmeros formatos da sua produção. Sejam estes nos territórios eminentemente científicos, artísticos ou existenciais. Finalmente, concluo lembrando que nos últimos séculos, a tecnologia facilitou a vida (vem mesmo "permitindo" a vida), aproximando o homem da sua história, da espiritualidade e, sobretudo, da sua criatividade. Mas, poderá também, se não for bem dosada, afastá-lo disto tudo, de si mesmo.

Um comentário:

Ceila Santos disse...

sebastião, concordo em parte com seu artigo. fiz uma reportagem há pouco tempo sobre bibliotecas digitais e apesar de encontrar muito material digitalizado, fiquei impressionada como o acervo é predominantemente feito apenas com catálogos. Muitas obras e teses continuam armazenadas no mundo tradicional e são apenas citadas nas bibliotecas. Também senti uma dificuldade imensa em encontrar conteúdo. ainda é muito complicado ter acesso àquilo que está digitalizado. as buscas nos levam a endereços interessantes, mas o desafio de achar a informação que procura é imenso. por outro lado, os tutoriais de portais de educação parecem revolucionar o dia-a-dia de professores. estou fazendo uma reportagem sobre a influência da tecnologia digital e estou impressionada como as professoras ficam apaixonadas pelos projetos em salas de aula. mas é um trabalho solitário e heróico. uma delas, cita, que conseguiu fazer do laboratorio, criado desde 1999, na escola um local de trabalho somente em 2004 em função do projeto de uma ONG porque a delegacia de ensino tinha feito um projeto de aluno monitor, mas alunos se formaram e sairam da escola e não havia internet. foi a ong que trouxe a possibilidade de acessar a rede. ou seja, não adianta máquinas sem capacitação, nem informação sem organização.