24 de mai de 2007

O "cu" da mídia mostra que ela não sabe para quem fala

Por Raphael Prado

Se você chegou até esse espaço de discussão da Diversidade Digital, creio que seja uma pessoa ligada na internet e que, portanto, me poupa da explicação sobre a música e o vídeo "Vai tomar no cu" ( http://www.youtube.com/watch?v=dHpSCHxb780). Um fenômeno repassado no "boca-a-boca" da internet e clicado na casa dos milhares, no YouTube.
Qualidade do humor à parte, o fato é que a mídia não pôde ignorar o vídeo quando a abrangência, na web, fez lembrar a luta do Digg.com contra a publicação do código que quebra a criptografia do HD-DVD. Da Mônica Bergamo e Fernando Rodrigues (sim, o colunista político), na Folha de S.Paulo, a Zeca Camargo, em seu blog no G1, passando pelos portais Terra e UOL, todos deram a notícia. Alguns conversaram com a atriz.
Mas o curioso está em como grafaram a palavra repetida diversas vezes na música. Para o grupo Folha/UOL, trata-se de "c...", padrão também seguido pelo Terra. Diziam, portanto, que o vídeo era "Vai tomar no c...". Zeca Camargo, mais "antenado", desde os tempos de VJ da MTV, não teve medo. Ainda postou o vídeo e viu seus comentários quase triplicarem. Mas a chamada na capa do G1 (que durou muito tempo, aliás; o que sinaliza "boa audiência"), com a impressão de que o espaço era insuficiente para mais, foi "Vai tomar..."
Se o vídeo é mesmo um fenômeno midiático – da nova mídia, claro -, se está nas caixas de e-mail de todos que têm uma caixa de e-mail, se já foi visto pelas crianças de 7 anos que não lêem o jornal – e, portanto, não se preocupam se ele grafa "c..." ou "cu" -, qual a explicação para essa auto-censura? Para quê noticiar algo que, mesmo sem o link, pode ser encontrado em 0,14 segundos no Google (dei-me ao trabalho de fazer o teste), se o pudor da mídia vanguardista não permite expressar o que ele, o vídeo, expressa?
Foi-se o tempo, felizmente, dos leitores de jornal que usavam cartolas, passeavam pelo Anhangabaú em São Paulo, seguravam nas mãos das damas – com luvas - para apoiá-las na descida do bonde e que não podiam mostrar um jornal que tinha impresso a palavra "cu". Felizmente. E não pelo charme da época, mas pela mudança dos tempos. Foi-se.

Um comentário:

novaes disse...

eh vero... um oceano inteiro pra navegar, um cm pra aprofundar...

o verdadeiro cu digital
http://www.youtube.com/watch?v=kr8xfTEZ0nA