12 de mai de 2007

Diversidade cultural (digital é linguagem binária)

Por Marcos Dantas

Por definição, na linguagem digital, só existe a alternativa entre 1 e o 0 (zero). Trata-se de de uma taxa muito limitada de diversidade... Preocupa-me mais a diversidade cultural, na medida em que contribua para o enriquecimento social geral e uma visão universal, por isto necessariamente plural, da humanidade. Neste sentido, a política pública tem que ser ativa no sentido de prover, diretamente ou indiretamente, os meios técnicos universais de acesso à informação e de comunicação do conhecimento, e passiva no sentido de não intervir contrariamente à liberdade de expressão, salvo, claro, nos casos aberrantes (abuso sexual, pregação de violência, racismo de qualquer tipo etc.). A política pública também precisa ser ativa (e muito ativa) no sentido de prover educação universal: sem acesso a padrões superiores de educação, ao domínio das línguas de cultura, das ferramentas científico-matemáticas, bem como amplo conhecimento das formas e técnicas de diversas manifestações artísticas (música, pintura, literatura, teatro, cinema), as múltiplas possibilidades de expressão cultural acabam não interagindo entre si, não evoluindo, fechando-se em guetos culturalmente pobres e estranhos uns aos outros.

Um comentário:

Ceila Santos disse...

Marcos, é um prazer lê-lo por aqui. conheço seu trabalho e acho que seu discurso é muito relevante. porém, leio muito sobre essas intenções em sites do governo, mas não vejo nada na prática. Reconheço que estamos no começo desse estímulo, mas a dificuldade de interagir guetos é imensa e quando começamos a abrir portas , a falta de incentivo e de informações governamentais é impressionante. é raro um órgão do governo esclarecer dúvidas, atender bem o cidadão, a falta de gestão do poder público emperra todo e qualquer processo por mais vontade política que haja no sentido da inclusão digital. Acredito nos canais de informação de redes sociais e vejo o quanto os guetos com suas relações inter-pessoais que formam uma comunidade estão dispostos a falar, debater e partilhar experiências, mas de qua adianta tanta disposição de um lado se não há política que atenda o cidadão de forma, no mínimo, satisfatória?